domingo, 10 de junho de 2012

Querer

Quero a delícia de não ter essa vontade de chorar toda a noite. Quero deixar de querer isso, logo. E aí estarei sorrindo.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

(Des)construção

Não tem sido fácil desconstruir. A cada dia que tenho coragem para acordar, acordar para a curiosidade dos tantos caminhos, contemplo mais e mais os caminhos da vida real. Esses caminhos que estão me mostrando a dor, o sofrimento e a frieza. A cada dia, tanta desarticulação. Mas eu entendo, entendo que não é fugindo que evitarei a desarticulação que virá, que vem. Tem sido necessário para que eu vejo tanta coisa que se fosse bonita e perfumada, eu nem teria visto, passaria sem entender. É necessário. Nessa desconstrução tem tanto choque, tanto despertar abrupto, baque forte entre mim e outros realidades. Desejo estar preparada para isso. Mas sem antecipar a descoberta, sem tomar por imutável o que outros viram antes.Sei lá. Hoje pensei que, enfim, que bom que estou desarticulando tanta coisa. Se sou capaz de sofrer intensamente na (des)construção também é possível, e ninguém tira isso de mim, articular outras coisas com imensa alegria.

domingo, 27 de maio de 2012

O mundo e palavra

Leio a palavra e através dela o mundo ou leio o mundo a através dele a palavra? Amada dinâmica louca essa a da realidade e da linguagem.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Cecília

Hoje renasci nos olhos de Cecília. Seus pezinhos saltitantes mal denunciaram sua repentina presença ao meu lado. Sentou-se, quietinha, mirando, atenta, a cada ínfimo movimento meu. Cecília tem observado mais do que falado, nos últimos dias.
Num assomo de curiosidade, perguntou:
- Tia, cê é médica, pra que ler livro assim tão grande que nem tem nenhuma figura de corpo humano?
Numa frase, Cecília, delicadamente, questionou-me tudo. 
Pousei 'Grande Sertão: Veredas' de Guimarães na mesa ao lado da poltrona, abri meus braços e Cecília já estava em meu colo. Fitei seus olhos negros e brilhantes e, com seus 7 anos, eles tinham força tamanha capaz de ofuscar meu progressivo descontentamento com o mundo. Seus cachinhos tremiam, curiosos e sua cabecinha fazia sinais afirmativos encorajando minha resposta.
Acredito que Cecília sempre soube o porque eu não leio só livros com figuras de corpo humano e de doenças. Mas Cecília quis que eu falasse. E com a voz embargada e o peso de um mundo todo em meus ombros, confirmei:
- A tia quer cuidar das pessoas. Mas antes precisa aprender a vê-las.

escrito em meio a uma crise, e em homenagem à Cecília - que está por vir.

domingo, 15 de abril de 2012

domingo, 29 de janeiro de 2012

Da arte e da vida, numa manhã de domingo.

Numa manhã de domingo qualquer, tu percebes que nunca entenderás a tênue fronteira entre a arte e a vida. Por um momento, teus olhos não mais distinguirão as coisas presentes e as intangíveis; todas elas podem, pois, ser absolutamente significantes durante a absorta leitura de um livro ou o verdadeiro ouvir de uma canção. 
Isso, se houver uma tal fronteira. Talvez ela nem exista. E talvez nem arte e tampouco vida devem ser compreendidas.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Janeiro

Janeiro todo sem postar nada no blog que não posso nem dizer que afunda porque nunca sequer apareceu sobre a superfície. Cada dia escrevendo e guardando para nunca alguém ler. Talvez.