domingo, 27 de maio de 2012

O mundo e palavra

Leio a palavra e através dela o mundo ou leio o mundo a através dele a palavra? Amada dinâmica louca essa a da realidade e da linguagem.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Cecília

Hoje renasci nos olhos de Cecília. Seus pezinhos saltitantes mal denunciaram sua repentina presença ao meu lado. Sentou-se, quietinha, mirando, atenta, a cada ínfimo movimento meu. Cecília tem observado mais do que falado, nos últimos dias.
Num assomo de curiosidade, perguntou:
- Tia, cê é médica, pra que ler livro assim tão grande que nem tem nenhuma figura de corpo humano?
Numa frase, Cecília, delicadamente, questionou-me tudo. 
Pousei 'Grande Sertão: Veredas' de Guimarães na mesa ao lado da poltrona, abri meus braços e Cecília já estava em meu colo. Fitei seus olhos negros e brilhantes e, com seus 7 anos, eles tinham força tamanha capaz de ofuscar meu progressivo descontentamento com o mundo. Seus cachinhos tremiam, curiosos e sua cabecinha fazia sinais afirmativos encorajando minha resposta.
Acredito que Cecília sempre soube o porque eu não leio só livros com figuras de corpo humano e de doenças. Mas Cecília quis que eu falasse. E com a voz embargada e o peso de um mundo todo em meus ombros, confirmei:
- A tia quer cuidar das pessoas. Mas antes precisa aprender a vê-las.

escrito em meio a uma crise, e em homenagem à Cecília - que está por vir.

domingo, 15 de abril de 2012

domingo, 29 de janeiro de 2012

Da arte e da vida, numa manhã de domingo.

Numa manhã de domingo qualquer, tu percebes que nunca entenderás a tênue fronteira entre a arte e a vida. Por um momento, teus olhos não mais distinguirão as coisas presentes e as intangíveis; todas elas podem, pois, ser absolutamente significantes durante a absorta leitura de um livro ou o verdadeiro ouvir de uma canção. 
Isso, se houver uma tal fronteira. Talvez ela nem exista. E talvez nem arte e tampouco vida devem ser compreendidas.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Janeiro

Janeiro todo sem postar nada no blog que não posso nem dizer que afunda porque nunca sequer apareceu sobre a superfície. Cada dia escrevendo e guardando para nunca alguém ler. Talvez.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Receita de Ano Novo






Receita de Ano Novo

(Carlos Drummond de Andrade)

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

(Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997)

domingo, 25 de dezembro de 2011

Natal


"De nada adianta o Cristo nascer mil vezes em Belém se ele não nasce no coração do homem também." 
(Aun Weor)


Feliz Natal para todos! ;)